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domingo, 19 de abril de 2009

É possível escolarizar a literatura, sem desfazer, desvirtuar ou falsear o texto literário

Agora ao final do curso, consigo pensar em maneiras (pequenas, tímidas) de trabalhar com o letramento literário na escola:
Aproveitar o que já é uma prática na sala de aula e promover pequenas mudanças. Participar da roda de leitura da classe, levando também para casa os mesmos livros, para compartilhar as minhas impressões com as crianças e ser um modelo de leitor visível para elas (por que eu já leio muito, mas elas não sabem disso).
Iniciar uma comunidade de leitores, ainda não sei muito bem como, onde possamos conversar sobre os livros que lemos além "dos muros da escola", compartilhar o comportamento leitor dos familiares, suas preferências etc.
Apesar do currículo, das provas, dos relatórios, reuniões de formação, de pais, e tudo mais que a escola nos impõe, ela é o lugar onde os alunos vão ter contato com a literatura. É preciso que nós professores possamos mediar esse contato da melhor forma possível.

Biblioteca Digital Mundial

Pessoal,

no dia 21/4, o portal da Unesco vai inaugurar a Biblioteca Digital Mundial, com obras digitalizadas de várias bibliotecas do mundo! Quem entrar no portal antes da inauguração vai ter acesso as orientações para o uso www.unesco.org. O acesso é gratuito e as obras estarão disponíveis em 7 línguas. Lembrei das aulas da Antonia (que saudade!), quando conversamos sobre a Biblioteca de Alexandria, que tinha cópias de obras importantes de várias bibliotecas.

Então, vamos aproveitar!

Bom feriado a todos e nos vemos na quinta.

domingo, 29 de março de 2009

Análise do conto O espelho

O espelho da história era utilizado para investigar todas as coisas escondidas, em todos os lugares, por isso a escolha de animais de diferentes ambientes. A formiga a meu ver, representa o mundo miniaturizado, difícil de enxergar e ser investigado. Por ser tão pequena, a formiga, aos olhos do rapaz pouco poderia ajudá-lo a resolver seus problemas e foi deixada por último, como a escolha derradeira. Ao mesmo tempo, ela é o animal que soluciona a questão e dessa forma, é a última a aparecer, pois do contrário não possibilitaria o desenvolvimento da história.
O rapaz sente-se seguro em embrenhar-se nessa aventura, pois sabe que poderá contar com a ajuda dos animais, que foram ajudados por ele. A frase "saiu pelo mundo para ganhar a vida"..., mostra que ele está disposto a aventurar-se para ter sucesso.
Além de aventureiro, ele era esperto e corajoso.
Pode-se localizar o narrador como observador, através dessas duas passagens, entre outras: "O rapaz seguiu sua estrada e adiante encontrou um carneiro"..., "Na primeira noite procurou um canto fora do reinado e disse"...
Os lugares onde a história se desenvolve, não são o mais importante, mas sim a ação dos personagens, o agravamento das situações, que aparece na mudança das palavras que o rapaz usa para pedir ajuda aos animais.
Quando a princesa concede uma nova chance para o rapaz, ela realmente espera que ele saia vitorioso, pois está apaixonada e deseja casar-se com ele.
Diferente do espelho chinês que investiga o que está dentro (do coração), o espelho da princesa investiga o que está escondido no mundo exterior, fora da pessoa que olha o espelho, por isso o esconderijo mais inusitado foi a própria bainha de sua roupa.
Acho que depois do casamento o espelho teria de volta sua função original, já que não haveria mais a necessidade de testar novos pretendentes para a princesa se casar.

Eu me lembrei de uma história chamada A menina vendida com as peras, do livro Fábulas Italianas, pag. 70, de Italo Calvino, onde a heroína ajuda o rio, a porta e os cães e em seguida é ajudada por eles, para no final casar-se com o príncipe.

domingo, 22 de março de 2009

Interpretação do conto Desenredo a partir de roteiro

1 - Principais acontecimentos do conto:
  • apresentação de Jó Joaquim
  • aparecimento de Vilíria
  • paixão dele por ela
  • descoberta da traição de Vilíria com outro homem
  • morte do amante pelo marido dela
  • afastamento de Jó Joaquim de Vilíria
  • morte do marido
  • perdão de Jó Joaquim por Vilíria
  • casamento dos dois
  • nova traição de Vilíria
  • Jó Joaquim manda Vilíria embora
  • após algum tempo, passa a convencer a todos que os acontecimentos do passado não foram aqueles
  • Vilíria volta, sem culpa
  • Jó Joaquim e Vilíria voltam a ficar juntos.

2- Em que todos acreditavam/como Jó Joaquim conseguiu fazer isso

  1. Todos acreditaram que Vilíria não havia traído Jó Joaquim e que nem havia tido amantes.
  2. Através de antipesquisas, burlando fatos, encomendando depoimentos.

3- Vocabulário: desafaz, enfando

Expressões: refritar almôndegas

4- O personagem Jó Joaquim modifica o enredo de sua própria história, ele a reinventa.

5- "Ela era um aroma", "Todo abismo é navegável em barquinhos de papel", "Esperar é reconhecer-se incompleto"

APROFUNDAMENTOS

1-

a) façanha de Jó Joaquim: levar todos a acreditar numa outra verdade

b) como conseguiu: mudando fatos, esperando, convencendo.

c) "Pôs-se a fábula em ata": a história inventada passa a ser verdadeira.

2-

a) em todos os nomes da mulher, aparecem as mesmas letras, trocando de posições.

b) dessa forma caracteriza as diferentes faces da mulher.

3-

a)Ver para depois sorrir

b)Depois de sorrir, conheceram-se

4-

a) modificar, transformar.

5- Sim. Porque a verdade passa a ser mentira e a mentira a ser verdade.

6) "Haja o absoluto amar - e qualquer coisa se irrefuta" - em nome do amor, tudo é possível, perdoado, aceito.

7- Sim. Mesmo depois de sofrer as traições de Vilíria, Jó Joaquim insistiu em manter-se apaixonado, amando.

8- Porque ele desejava ser feliz a qualquer custo. Tinha medo de não ser feliz sem Vilíria.

O roteiro foi um norteador para o entendimento do conto. Agora vou arriscar a leitura de outras obras de Guimarães Rosa.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Ideologia no livro didático

Como comentei na aula do dia 12/3, vou compartilhar alguns trechos do livro Ideologia no Livro Didático, que achei interessantes:

"...Já que o livro didático da escola primária ignora a classe operária, poder-se-ia dizer que, para o aluno desta classe social, o contraste existe. Então o que fazer♪ Outro livro didático, outro professor♪ Mas a classe operária, estuda, no Brasil♪

...Depois de ter verificado como a ideologia dominante vê o conceito de trabalho e o transmite para todos aqueles que frequentam as escolas públicas, o que fazer♪

...Apesar de ser importante a denúncia já não é suficiente. Faz-se necessárias propostas alternativas. Constatada a ideologia da classe dominante no livro didático, vamos agora jogá-lo fora ♪...

... No entanto, para a classe operária a escola é um lugar privilegiado onde se dá a transmissão da cultura produzida por ela e por toda humanidade, mas a qu somente alguns têm acesso. Esta é mais uma contradição que se dá no interior da própria escola: ao mesmo tempo que sua função é transmitir a ideologia da classe dominante, é aí mesmo que algumas informações são transmitidas e que sendo elaboradas versus a vivência da classe operária poderá tornar-lhe mais um instrumento para sua luta para a transformação social.

... É este o papel revolucionário que a escola pode desempenhar. O que pode fazer (dependendo das condições da base material) é não segregar o proletariado que a frequenta.

...O novo professor preocupar-se-á também com as informações a serem transmitidas. Não se deixará levar pela idéia de que pobre não tem condições de aprender e não facilitará tudo a ponto de cair no genérico vazio, nem na simplicidade científica. Preocupar-se-á em ter uma linguagem adequada (...), usará a escola para instruir de fato seu aluno, dar-lhe-á informações sobre a vida, a história passada e presente, as ciências naturais(...). Despertá-lo-á para a reflexão, para a curiosidade científica, para a pesquisa, para a leitura(...) O novo professor contará a história da luta do trabalhador, reativará a memória nacional."
Faria, Ana Lúcia G. de. Ideologia no livro didático/10 ed
- São Paulo: Cortez: Autores Associados - 1991.
(Coleção Polêmicas do Nosso Tempo, v. 7)
O texto usa termos panfletários, mas ele se diferencia de outros, porque não apenas denuncia, mas traz uma proposta de mudança, que é pautada principalmente no papel do professor.

domingo, 8 de março de 2009

Seminário nota 10

O seminário da aula passada foi excelente! Fiquei impressionada com a quantidade de material audio visual que vocês conseguiram sobre o assunto.
Lembrei de uma reportagem que li na Folha de São Paulo, em 25/02/2009, cujo título era ESCRITORES CONSAGRADOS REPUDIAM FALSOS TEXTOS QUE CIRCULAM NA REDE.
Algumas vítimas: Luis Fernando Veríssimo, Drauzio Varella, Millor Fernandes entre outros.
A jornalista Cora Rónai publicou "Caiu na rede", Ed. Agir, uma compilação de textos falsos que podem ser lidos em tinyurl.com/caiuna rede.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Odisséia, forma e conteúdo

Quando o autor escreve o amor foi a função, a idéia que me vem é o amor humanizado, em forma de pessoa. Há no texto uma série de ações humanas, quase que listadas. O texto está em prosa e faz uma descrição, uma após a outra dessas ações.
Também menciona práticas de tortura, lembrei da ditadura militar.
O amor é incansável, tolerante, vítima da intolerância alheia e teimoso, por que não dizer invencível. Essa é a odisséia do amor.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Pequenas memórias leitoras

Amigos, já faz tanto tempo, mas nossa conversa ontem me ajudou a relembrar pequenas cenas relacionadas ao meu aprendizado da leitura. Vamos lá!
Fui alfabetizada no Rio de Janeiro, no início da década de 70, em uma escola estadual. A primeira recordação que me veio, foi uma situação de avaliação, em que a professora chamava os alunos individualmente para que lessem trechos de um livro, acho que era uma cartilha, Caminho Feliz e dessa forma ela se informava sobre o nosso aprendizado.
Em casa tínhamos muitos livros, meu pai era um leitor ávido e comprava as enciclopédias vendidas de porta em porta, além dos livros de seu gosto pessoal. Lembro que eu adorava folheá-los e em busca de figuras bonitas. Mais tarde, passei a explorar uma enciclopédia infantil chamada Mundo da Criança, que já me parecia antiga naqueles tempos, mas que eu adorava, ficava lendo as poesias, quadrinhas, sugestões de brincadeiras para dias de chuva... admirando as ilustrações e fotos.
Um resgate feito ontem, foi de uma cena em que estava com minha mãe, passeando pelas ruas da Lapa, quando li numa tabuleta: ESFIHAS e perguntei para ela, o que eram ESFINHAS. Ela demorou um pouco para entender o que eu estava dizendo e eu para entender o que ela estava me explicando, como o H podia ter o som do R. Automaticamente, ao ler a palavra, eu tinha inserido a letra N antes do H e não me conformava com o fato dela não estar lá.
Meu gosto pela leitura se iniciou quando eu devia ter 10 ou 11 anos e foi se consolidando com o tempo.Lembro que no meu diário, eu fazia listas dos títulos dos livros que já tinha lido, infelizmente essa lista se perdeu.
Eu queria ler de tudo um pouco na minha adolescência, queria ficar sabida e lia vorazmente, até que um dia, minha professora de História do colegial me emprestou para fazer um trabalho, O Capital, de Karl Marx, eu nunca tinha visto um livro tão enorme na minha vida e juro por Deus, que tentei ler, mas foi impossível. Lembro da frustração da professora e a minha também.
Prá terminar, eu leio em qualquer lugar, na cozinha entre uma panela e outra, no banheiro, no sofá com a TV ligada e as crianças brincando, mas ultimamente meu lugar mais frequente tem sido na cama antes de dormir, já virou um ritual.
Bom espero que vocês apreciem essas pequenas memórias leitoras.
Um abraço para todos.